domingo, 25 de agosto de 2013

Nessa parede de madeira já preguei muita mágoa
Já soltei muita lágrima, já fumei muito cigarro
Esperneei, refleti e até batuquei um som ou outro
E a madeira já sumiu de tanto prego que enfiei

Uns vinham só pra ver, outros vinham papear
E havia quem viesse pra tentar analisar

Tanto se viu, tanto se fez, tanto se falou que até desfez
A vontade, a sinceridade, a liberdade de poder contar
Ou soletrar, ou pontuar, ou só deixar em suspensão, simplesmente... fuff...
Cada ponto é um sintoma de uma doença doutro alguém

Douto alguém

Atribuída a mim, ou à parede de madeira
Ou à muralha de pregos, ou ao adorno improvisado
Que fizeram, de pedras rachadas no chão
Da realeza que precisa projetar a frustração

E que não sabe que a doença está em crer no deus felicidade
Que a ambição da nova geração não é mais a eternidade
Viver a vida já está bom se puder ser sem se matar aos poucos

domingo, 21 de outubro de 2012

Hoje enfim eu entendi o que é a dor
Dor doída, dor na ida e no regresso
Mas esqueça dos poemas de amor:
To falando de drenar um abscesso.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Relatório de pensamento criativo - São Paulo, 03/10 2012 - Turno: Manhã.

Resta tão pouco em que acreditar, sonhar.





Essa realidade inventada tolhe tanto.





Sobra tão pouco espaço imaginário pra pensar, criar.





Que quando, raro, ocorre um momento de "iluminação", subitamente ele aflora, sintetiza e explode em palavras. Poucas.





Final.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

O mais legal de estar nessa fase de merda da vida é que sempre tem um ser superior, deus supremo, senhor da verdade que lê a sua mente pra poder falar que a culpa é sua, pra deslegitimar o esforço, pra desqualificar sem pensar duas vezes e não pra perceber que você está tentando se virar mas que tá foda. Tomar no cu!

segunda-feira, 26 de março de 2012

Se deus é bom e existe, porque ele não me deixa explodir seres humanos com o poder da mente?

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A arte de demonstrar o indemonstrável

A vida é boa. Mas a vida é foda.

Logo, podemos concluir que a vida é uma boa foda.

Q.E.D.


segunda-feira, 7 de novembro de 2011

E a cada vez que, extasiado, perder-se no outro, pare...

Se obrigue a lembrar-se de sí.

Do contrário, nada vai durar.

sábado, 22 de outubro de 2011

No lugar certo

Acordei no meio da madrugada, sem sono. Olhei em volta e reparei na garrafa de água, que fica na prateleira mais baixa da porta da geladeira, em cima do criado mudo. Levantei, tomei um gole direto no gargalo, não a levei de volta para a cozinha. Deixei ali.

Fui até a cozinha e abri a geladeira: é o que se faz quando o sono vai embora, eu não queria beber nem comer nada. O suco - que fica na prateleira do meio da porta da geladeira, com a parte da frente virada para trás quando o suco está fechado e para frente quando está aberto - estava na prateleira de baixo, no lugar da água, com a parte da frente virada nem para trás nem para frente, mas para o lado. Estranhei.

Peguei o suco, coloquei um pouco num copo.(...) Devolvi a embalagem à prateleira de baixo da porta da geladeira, com a parte da frente virada para o lado. Enquanto bebia reparei que a escova de cabelos estava fora do banheiro, ao lado da tv da sala, que dava pra ver da cozinha. Voltei para o quarto e a deixei onde estava. A escova. A cozinha também.

Apaguei a luz e me deitei. Lembrei que a garrafa de água estava ali, em cima do criado mudo, fora do seu lugar de origem, ocupado pela caixa de suco virada para o lado errado, de onde dava pra ver que a escova de cabelos não estava no banheiro. Virei para o lado e dormi. Dormi muito bem.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

10:10

Certa noite, há pouco mais de um ano atrás, tive um sonho que não só me marcou como marcou uma transição definitiva no meu modo de pensar.

Antes de dormir combinei com meu pai que ele passaria em casa para me buscar as 10h da manhã do dia seguinte. Fui dormir e sonhei.

Sonhei que, no dia seguinte, acordei atrasado, 9:50h da manhã. Corri para o chuveiro e tomei - dentro do meu conceito - um banho rápido de cerca de dez minutos. Sai do chuveiro, me enxuguei, escovei os dentes, corri pela casa em busca de uma roupa que me agradasse, parte no armário, parte no varal. Fui me pentear e, neste dia em especial, meus cabelos resolveram demorar a aceitar uma forma minimamente civilizada.

Quando consegui algo próximo ao aceitável me apressei em colocar as meias e sentei-me no sofá da sala para calçar um par de tênis. Nesse instante, olhei para o relógio na parede ao lado que marcava 10:10h. Pensei aliviado que ele estava atrasado. Eu já estava pronto e agora só restava esperar. Respirei, aproveitei o tempo extra para brigar um pouco mais com o cabelo e dar uma fuçada na internet, sempre com o celular em mãos, preparado para parecer que eu estava preparado desde a hora marcada.

Cansado de matar o tempo livre, sentei-me novamente no sofá da sala para esperar e olhei o relógio de parede: 10:19h... quando é que ele chega? Vou dar mais um tempo e ligar. E então o celular toca, olho no relógio de parede antes de atender, 10:20h.

 - Alou... - digo simulando uma voz mais aguda, diferente da voz grave de quem acabou de acordar.

 - Pode descer que eu já to chegando na sua rua - diz ele. Desliguei o celular e acordei do sonho.

Como de costume, acordei atrasado, 9:50h da manhã. Corri para o chuveiro e tomei - dentro do meu conceito - um banho rápido de cerca de dez minutos. Sai do chuveiro, me enxuguei, escovei os dentes, corri pela casa em busca de uma roupa que me agradasse, parte no armário, parte no varal. Fui me pentear e, nesse dia em especial, meus cabelos resolveram demorar a aceitar uma forma minimamente civilizada.

Quando consegui algo próximo ao aceitável me apressei em colocar as meias e sentei-me no sofá da sala para calçar um par de tênis. Nesse instante, olhei para o relógio na parede ao lado que marcava 10:10h...

 - Impossível... - em um segundo veio à minha cabeça a lebrança de todo aquele sonho que acabara de ter. Até então não me lembrava dele - acordei daquele jeito meio capenga, meio com pressa que sempre tira da cabeça da gente qualquer sonho, instantaneamente. E no segundo seguinte eu tinha, não a sensação, mas a certeza mais absoluta e profunda que se pode ter de que meu celular tocaria em exatos dez minutos. Eu já estava pronto e agora só restava esperar.

 - Idiota, você deve estar delirando - disse a mim mesmo, mas fracassei na tentativa de abalar minha certeza naquilo que estava para acontecer. E então, por algum motivo desses que não me atrevo a tentar deduzir qual, minha mente bloqueou esse pensamento, o do sonho.

Levantei-me do sofá, respirei. Aproveitei o tempo extra para brigar um pouco mais com o cabelo e dar uma fuçada na internet, sempre com o celular em mãos, preparado para parecer que eu estava preparado desde a hora marcada. Cansado de matar o tempo livre, sentei-me novamente no sofá da sala para esperar e olhei o relógio de parede: 10:19h...

 - Porra! - Me arrepiei por inteiro diante do susto que me provocou a súbita retomada da lembrança daquele sonho. Fiquei ali, sentado. Congelado com o celular em mãos, diante da certeza do que viria a seguir. Era uma sensação estranha: ao mesmo tempo que estava aflito e paralisado com aquela incontrolável soberania sobre o tempo, sentia-me poderoso.

Hesitei por algum tempo em olhar o relógio. Olhei. O tempo parecia que não passava, 10:19h: cinquenta e quatro, cinquenta e cinco, cinquenta e seis, cinquenta e sete, cinquenta e oito, cinquenta e nove.... 10:20h, o celular toca:

 - Alou... - digo simulando uma voz mais aguda, diferente da voz grave de quem acabou de acordar.

 - Pode descer que eu já to chegando na sua rua.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Um homem saiu na rua, virou a esquina e tomou dois tiros na cabeça. Seu filho recebeu a notícia, saiu correndo, tropeçou e caiu de uma ponte. Morreu. A mulher que assistia se assustou. Enfartou. Morreu. O cachorrinho da senhora saiu correndo. Foi atropelado. Morreu. O carro que tentou desviar bateu na porta de um outro que vinha cruzando. Capotou três vezes. Morreu e matou o motorista do outro carro. Um chinês morreu. Não sei porque, mas com certeza um chinês morreu neste minuto. Um avião caiu. Todos morreram. Ele caiu no centro de São Paulo. Várias pessoas morreram também. Várias pessoas receberam a notícia das mortes. Várias enfartaram. Muitas se mataram. Algumas se revoltaram e saíram na rua atirando. A polícia não gostou. Saiu atirando também. A população se revoltou e começou a matar policiais e civis com tacos de basebol, canivetes, pedaços de pau, flechas envenenadas, lanças, arpões de pesca, pás, garrafas de vinho quebradas, alicates, cortadores de unha, vassouras, cadeiras, serras elétricas, mordidas. A notícia foi se espalhando e o mundo inteiro se matou. Acabou a raça humana. Fim.

domingo, 24 de julho de 2011

Ah, essa nossa mania de achar que interrogação é o mesmo que dois pontos parágrafo travessão....

E essa nossa mania?:
   - Ler interrogação
Transformá-la em dois pontos
Parágrafo, travessão....



而我們的熱潮?:
  - 讀標記
打開它兩點
段落,縮進....



E che la nostra mania?
  - Leggi marchio
Accenderlo due punti
Comma, trattino ....
 


Et quod INSANIO:
    - Read mark
Verto is ex duobus
Paragraph: indent ....



sábado, 9 de julho de 2011

Guarda-Chuva Colorido

Existe uma diferença entre as coisas que importam e as que não importam.

As coisas que não importam são aquelas às quais chamamos de "coisas importantes". Essas não importam. Elas são as coisas das quais ouvimos falar, nas quais somos estimulados a interferir, aquelas que estão na boca do povo, aquelas que estão na boca das elites, aquelas que estão na boca de políticos, jornalistas, ambientalistas, médicos, empresários, fanáticos.

As coisas que importam são aquelas que conversam com você. Que ao perguntar-se o por quê de estar fazendo ou pensando em algo, você não acha resposta. Aquelas que não importam para a humanidade, ou para a história, ou para a família, amigos, chefes, namoradas, vizinhos ou quem quer que seja. Hoje eu tenho um guarda-chuva colorido que comprei no farol. É isso - e apenas isso - que, agora, importa.