quinta-feira, 15 de março de 2018
Ideal
Uma caixa fechada. Por fora escrito "ABRA".
A decisão é sua. Você pode abrir. Ou não.
Se ela ficar fechada você acaba imaginando uma série de possibilidades. Cada uma delas transforma o pensamento, traz sensações, emoções, altera o batimento, provoca transformação dentro e fora. Tudo isso preenche, imaginação e alma.
Mas você resolve abrir...
Não há nada. Está vazia. Tudo o que se vê é, no fundo da caixa, uma palavra escrita: "FECHE".
Assim é a vida.
O ofício dos amantes
Não é pelo prestígio. Não é pela fama. Não é pelo sucesso. Não é pela perfeição. Não é pra mostrar. Não é por mim.
É pelas pessoas. É por causa da paixão pelas pessoas que nasce a paixão por uma vivência.
E está ai o maior estímulo que se pode achar: o outro.
Teatro é só conseqüência. Algo que se faz junto. A verdadeira paixão acontece no subtexto.
Existe erro maior do que buscar estímulo em pessoas que não o estimulam?
É pelas pessoas. É por causa da paixão pelas pessoas que nasce a paixão por uma vivência.
E está ai o maior estímulo que se pode achar: o outro.
Teatro é só conseqüência. Algo que se faz junto. A verdadeira paixão acontece no subtexto.
Existe erro maior do que buscar estímulo em pessoas que não o estimulam?
O Gringo que Enxugava as Mãos
Duas e dez da manhã. O asfalto está molhado pela chuva que parou há pouco. Faz frio. São Paulo dorme.
Apresso o passo para sair logo da rua deserta. Depois da esquina me vejo em frente ao meu destino, um café 24h. Tiro o casaco, faço meu pedido no balcão e subo os degraus. Escolho para me sentar um sofá num canto oposto à escada, no fundo do salão, de onde vejo todo o movimento, das escadas ao corredor do toilette. Abro meu livro e começo a fazer anotações.
- Seu café, senhor.
Como de costume, estendo minha leitura noite a fora. O lugar se esvazia ao longo da próxima hora, restando apenas dois universitários debruçados sobre alguns livros grossos, falando baixo entre sí na língua dos números. De tempos em tempos a garçonete sobe trazendo pedidos e levando bandejas.
Lá pelo terceiro ou quarto café a chuva volta a cair, o que torna ainda mais envolvente aquele ambiente quente e aconchegante. Quase que simultaneamente à chuva ouço risos altos de um grupo de homens vindo do andar de baixo. O som vai aumentando e percebo que falam em inglês. Pouco tempo depois, quatro homens jovens e de pele muito clara emergem do vão das escadas momentos antes da garçonete, que traz mais dois cafés aos estudantes da outra mesa.
Os gringos se demoram em volta de uma mesa bem em frente ao corredor dos toilettes, bloqueando parcialmente minha visão. Eles não parecem ter dado muita atenção à minha figura monótona no outro canto, com um livro na mão.
- Ai meu Deus! Me desculpe!
- Não tem problema, não caiu em mim - disse um dos estudantes vendo seu café escorrendo da mesa para o sofá em que estava sentado um segundo atrás. Reflexos rápidos.
Ele trocou de lugar enquanto a garçonete colocava um pano no sofá molhado. Dois gringos haviam ido ao toilette. Um já voltara ao grupo, ainda em pé perto da mesa, enquanto o outro lavava as mãos na pia que se projetava para dentro de uma das paredes do corredor.
A garçonete se juntou ao último para lavar o pano sujo de café. Os outros três continuavam rindo em uma conversa mais baixa, e estranhamente pareciam cada vez mais próximos à entrada do corredor. Pouco se via - e ouvia - da garçonete e do gringo que agora enxugava as mãos. Os três aumentaram um pouco o som da conversa, não pareciam mais notar a presença dos outros dois atrás deles. Por entre os três corpos, agora quase grudados, era possível vislumbrar movimentos bruscos e rápidos e algumas pausas, até que não era mais possível entender a que corpo cada membro pertencia. Tudo o que se ouvia era alguns risos e trechos de frases soltas em meio a um murmúrio incessante, nada que levantasse alguma suspeita em olhos desatentos, visto que os três mantinham a mesma conversa empolgante de antes. Estavam todos tão próximos que mal se distinguia quem emitia cada som.
Passaram-se cerca de cinco minutos quando o gringo que enxugava as mãos quebrou a unidade espacial dos três colegas. Instantaneamente os risos aumentaram e a conversa acelerou enquanto os quatro dispersavam em grupo para o andar de baixo.
Os risos foram ficando distantes. Cessaram.
Os estudantes continuavam absortos em seus cálculos. Eu os invejava por isso. Não viam nada à sua volta quando distraídos com suas atividades.
A garçonete saiu do pequeno espaço onde a pia se projetava para dentro da parede do corredor, agora visível. Ela foi em direção à escada, rindo com uma expressão divertida e incrédula, onde encontrou os olhos de um outro funcionário - com uma expressão divertida, curiosa e com um leve traço de incredulidade também - cuja presença eu ignorava até o momento. Desceram cochichando.
Aqueles estudantes nunca vão saber da garçonete e do gringo que enxugava as mãos. Não viam nada à sua volta.
Vai Brasil!
Toda a rotina é de subito interrompida. Os meios de transporte de toda a cidade ficam superlotados. Os caminhos que as pessoas fazem de costume não são mais válidos, hoje nenhum fluxo humano é totalmente previsível. Os engarrafamentos se sustentam por pouco tempo devido aos fluxos variados.
...
Os pontos de ônibus se esvaziam. Os metrôs esvaziam. As ruas. Olho pela janela e não vejo de onde vem nenhum dos sons que ouço. Todos os grupos já estão concentrados em seus destinos.
Em alguns minutos todo um país vai parar para torcer pela publicidade, pela globalização, pela aculturação, pelo turismo sexual, pelo pão e pelo circo, pela concentração do capital nas chuteiras dos jogadores e nas pastas dos políticos e dos empresários.
Todos nós vamos apoiar o símbolo nacional de adesão à modernidade. São os nossos vanguardistas! Todos vamos gritar a cada gol, a cada milhão adicionado às chuteiras dos nossos iguais, a cada milhão a mais que morre de fome por conta disso.
E quando ganharmos mais um troféu vamos todos ao delírio. Viva o crescimento do turismo, da concentração do capital e do aumento do abismo entre iguais! Viva a "cultura" do futebol e do samba! Viva o fazer sem pensar! Viva a geração moldada para servir ao sistema e para sentir prazer com aquisições inúteis! Viva os teatros vazios! Viva o país de analfabetos funcionais! Viva o ideal de democracia que nos obriga a dar ouvidos a toda e qualquer asneira que nossos líderes inventam para despistar a revolta do povo! Viva a domesticação da revolta do povo!
A cidade me lembra um filme de zumbis.
Começa o jogo.
...
Os pontos de ônibus se esvaziam. Os metrôs esvaziam. As ruas. Olho pela janela e não vejo de onde vem nenhum dos sons que ouço. Todos os grupos já estão concentrados em seus destinos.
Em alguns minutos todo um país vai parar para torcer pela publicidade, pela globalização, pela aculturação, pelo turismo sexual, pelo pão e pelo circo, pela concentração do capital nas chuteiras dos jogadores e nas pastas dos políticos e dos empresários.
Todos nós vamos apoiar o símbolo nacional de adesão à modernidade. São os nossos vanguardistas! Todos vamos gritar a cada gol, a cada milhão adicionado às chuteiras dos nossos iguais, a cada milhão a mais que morre de fome por conta disso.
E quando ganharmos mais um troféu vamos todos ao delírio. Viva o crescimento do turismo, da concentração do capital e do aumento do abismo entre iguais! Viva a "cultura" do futebol e do samba! Viva o fazer sem pensar! Viva a geração moldada para servir ao sistema e para sentir prazer com aquisições inúteis! Viva os teatros vazios! Viva o país de analfabetos funcionais! Viva o ideal de democracia que nos obriga a dar ouvidos a toda e qualquer asneira que nossos líderes inventam para despistar a revolta do povo! Viva a domesticação da revolta do povo!
A cidade me lembra um filme de zumbis.
Começa o jogo.
Mais um texto errado
Há os que falam mal e os que fazem mal.
Os que falam mal ou já fazem bem ou estão se bloqueando pois, ao falar mal, estão desqualificando aquilo que um dia terão que aprender a fazer. E certamente farão mal até que esteja bem treinado. Logo, desqualificam seu próprio futuro aprendizado.
Agora, se já fazem bem então estão se enganando. Só fazem menos pior pois nunca será perfeito. Que numero está mais próximo ao zero, o um ou o cem? Se considerarmos que existem infinitos números entre zero e cem e que também existem infinitos números entre zero e um então 1 = 100 em relação ao zero, apesar de o espaço entre eles também ser infinito... deu pra pegar a analogia né?
Portanto, não há quem faça bem. Há aquele que já errou mais e, por isso, quanto mais se aproxima do "cem" menos os "uns" percebem seus erros, que são mais perceptíveis para os que erram a mais tempo e mais aos que erram por menos tempo. Isso se é que se pode chamar de erro no lugar de realização inadequada a determinado objetivo.
E há os que fazem mal. Os que fazem mal são todos os que fazem. Então por que falar mal? Porque assim nos poupamos ao trabalho de cometer erros. E também de aprender com eles. E não aprendendo nos privamos de ser o infinito, seja ele mais próximo de um ou de cem, para nos tornarmos pontualmente o zero. Sem profundidade, sem diversidade, sem multiplicidade e sem sentido. Um zero que aponta em todas as direções sem nunca experimentar nenhuma.
Mas veja pelo lado bom. O zero é feliz. ;-)
Falando na lata:
Se você acha que sabe, não sabe de nada. Quanto menos você acha que sabe, mais você já deixou de não saber. Não estou falando nenhuma novidade. O que nos resta é passar a vida a brincar com nossos infinitos erros. Pois brincando com eles nos permitiremos errar mais. E errando mais, mais infinitos seremos.
Os que falam mal ou já fazem bem ou estão se bloqueando pois, ao falar mal, estão desqualificando aquilo que um dia terão que aprender a fazer. E certamente farão mal até que esteja bem treinado. Logo, desqualificam seu próprio futuro aprendizado.
Agora, se já fazem bem então estão se enganando. Só fazem menos pior pois nunca será perfeito. Que numero está mais próximo ao zero, o um ou o cem? Se considerarmos que existem infinitos números entre zero e cem e que também existem infinitos números entre zero e um então 1 = 100 em relação ao zero, apesar de o espaço entre eles também ser infinito... deu pra pegar a analogia né?
Portanto, não há quem faça bem. Há aquele que já errou mais e, por isso, quanto mais se aproxima do "cem" menos os "uns" percebem seus erros, que são mais perceptíveis para os que erram a mais tempo e mais aos que erram por menos tempo. Isso se é que se pode chamar de erro no lugar de realização inadequada a determinado objetivo.
E há os que fazem mal. Os que fazem mal são todos os que fazem. Então por que falar mal? Porque assim nos poupamos ao trabalho de cometer erros. E também de aprender com eles. E não aprendendo nos privamos de ser o infinito, seja ele mais próximo de um ou de cem, para nos tornarmos pontualmente o zero. Sem profundidade, sem diversidade, sem multiplicidade e sem sentido. Um zero que aponta em todas as direções sem nunca experimentar nenhuma.
Mas veja pelo lado bom. O zero é feliz. ;-)
Falando na lata:
Se você acha que sabe, não sabe de nada. Quanto menos você acha que sabe, mais você já deixou de não saber. Não estou falando nenhuma novidade. O que nos resta é passar a vida a brincar com nossos infinitos erros. Pois brincando com eles nos permitiremos errar mais. E errando mais, mais infinitos seremos.
Deixe as crianças brincarem.
Deixe as crianças brincarem.
Está nas crianças a imagem daquilo que somos.
Deixe as crianças brincarem. Permita que elas aprendam a gostar da vida. Permita que elas descubram, percebam, criem.
Deixe que elas brinquem e criem assim sua própria visão de mundo, não a que nós temos. Não induza a próxima geração a ser errada como nós. Não ensine que quebrar é errado. Não ensine que sujar é errado. Não ensine que não devemos fazer barulho.
Não ensine que errar é errado.
Não ensine. Saiba que a criança que brinca aprende muito mais do que o pouco que nós temos a passar.
Incentive. Permita que nossas crianças nos superem. Não tenha medo disso. Permita que nossas crianças não nos vejam como heróis, como sábios donos da verdade e velhos conhecedores da vida.
Brinque.
Não se deixe acreditar que a vida é séria. Não se deixe acreditar que você é importante. Não coloque esse peso nas suas costas.
Brinque, porque nós somos um dos poucos animais que tem essa necessidade. Aceite que nossa desimportante vida não deve ser vivida em vão.
Aceite suas obrigações. Você é obrigado a brincar, a não levar tudo tão a sério, a rir, a amar, a fazer nada com os amigos e a gastar dinheiro apenas com coisas desimportantes.
Status é muito importante. Estilo é muito importante. Poder é muito importante. Acumular dinheiro é importante. Segurança é importante. Não perca seu tempo com isso.
Jogue bola com seu filho. Beba, sim, mas faça-o acompanhado. Erre com vontade. Ria dos erros porque, assim que corrigi-lo, virão outros. Tenha por objetivo errar. Porque quanto mais erros cometemos, mais conhecimento temos para poder errar muito mais.
Não acredite que um homem sábio é aquele que sabe. Ele sabe tão pouco quanto qualquer outro. Mas tem consciência disso. E aprendeu a aceitar sua ignorância.
Ouça as crianças. Elas não tem a maturidade para dizer o que queremos ouvir. Elas ainda não aprenderam a ser cordiais. Elas não aprenderam a evitar conflitos. Elas ainda não desenvolveram a habilidade de contribuir com a perpetuação das convenções sociais, engessadas pela cultura do lugar onde crescemos. É delas que vamos ouvir o que realmente somos. Elas que vão nos mostrar o que nós escondemos de nós mesmos, por trás da moral e da lógica social na qual estamos imersos. Elas conseguem ver de fora o nosso comportamento estranho e paradoxal porque ainda não viveram tempo suficiente para ficarem totalmente imersas em nosso aquário normativo.
Tenha um animal de estimação. Muito tempo com humanos pode ser prejudicial. Ficar sozinho nem sempre resolve. Você é um ser humano.
Se nada disso servir para você, tudo bem. Viva a sua vida como quiser. Mas permita que o mundo mude. Deixe as crianças brincarem.
Está nas crianças a imagem daquilo que somos.
Deixe as crianças brincarem. Permita que elas aprendam a gostar da vida. Permita que elas descubram, percebam, criem.
Deixe que elas brinquem e criem assim sua própria visão de mundo, não a que nós temos. Não induza a próxima geração a ser errada como nós. Não ensine que quebrar é errado. Não ensine que sujar é errado. Não ensine que não devemos fazer barulho.
Não ensine que errar é errado.
Não ensine. Saiba que a criança que brinca aprende muito mais do que o pouco que nós temos a passar.
Incentive. Permita que nossas crianças nos superem. Não tenha medo disso. Permita que nossas crianças não nos vejam como heróis, como sábios donos da verdade e velhos conhecedores da vida.
Brinque.
Não se deixe acreditar que a vida é séria. Não se deixe acreditar que você é importante. Não coloque esse peso nas suas costas.
Brinque, porque nós somos um dos poucos animais que tem essa necessidade. Aceite que nossa desimportante vida não deve ser vivida em vão.
Aceite suas obrigações. Você é obrigado a brincar, a não levar tudo tão a sério, a rir, a amar, a fazer nada com os amigos e a gastar dinheiro apenas com coisas desimportantes.
Status é muito importante. Estilo é muito importante. Poder é muito importante. Acumular dinheiro é importante. Segurança é importante. Não perca seu tempo com isso.
Jogue bola com seu filho. Beba, sim, mas faça-o acompanhado. Erre com vontade. Ria dos erros porque, assim que corrigi-lo, virão outros. Tenha por objetivo errar. Porque quanto mais erros cometemos, mais conhecimento temos para poder errar muito mais.
Não acredite que um homem sábio é aquele que sabe. Ele sabe tão pouco quanto qualquer outro. Mas tem consciência disso. E aprendeu a aceitar sua ignorância.
Ouça as crianças. Elas não tem a maturidade para dizer o que queremos ouvir. Elas ainda não aprenderam a ser cordiais. Elas não aprenderam a evitar conflitos. Elas ainda não desenvolveram a habilidade de contribuir com a perpetuação das convenções sociais, engessadas pela cultura do lugar onde crescemos. É delas que vamos ouvir o que realmente somos. Elas que vão nos mostrar o que nós escondemos de nós mesmos, por trás da moral e da lógica social na qual estamos imersos. Elas conseguem ver de fora o nosso comportamento estranho e paradoxal porque ainda não viveram tempo suficiente para ficarem totalmente imersas em nosso aquário normativo.
Tenha um animal de estimação. Muito tempo com humanos pode ser prejudicial. Ficar sozinho nem sempre resolve. Você é um ser humano.
Se nada disso servir para você, tudo bem. Viva a sua vida como quiser. Mas permita que o mundo mude. Deixe as crianças brincarem.
domingo, 25 de agosto de 2013
Nessa parede de madeira já preguei muita mágoa
Já soltei muita lágrima, já fumei muito cigarro
Esperneei, refleti e até batuquei um som ou outro
E a madeira já sumiu de tanto prego que enfiei
Uns vinham só pra ver, outros vinham papear
E havia quem viesse pra tentar analisar
Tanto se viu, tanto se fez, tanto se falou que até desfez
A vontade, a sinceridade, a liberdade de poder contar
Ou soletrar, ou pontuar, ou só deixar em suspensão, simplesmente... fuff...
Cada ponto é um sintoma de uma doença doutro alguém
Douto alguém
Atribuída a mim, ou à parede de madeira
Ou à muralha de pregos, ou ao adorno improvisado
Que fizeram, de pedras rachadas no chão
Da realeza que precisa projetar a frustração
E que não sabe que a doença está em crer no deus felicidade
Que a ambição da nova geração não é mais a eternidade
Viver a vida já está bom se puder ser sem se matar aos poucos
Já soltei muita lágrima, já fumei muito cigarro
Esperneei, refleti e até batuquei um som ou outro
E a madeira já sumiu de tanto prego que enfiei
Uns vinham só pra ver, outros vinham papear
E havia quem viesse pra tentar analisar
Tanto se viu, tanto se fez, tanto se falou que até desfez
A vontade, a sinceridade, a liberdade de poder contar
Ou soletrar, ou pontuar, ou só deixar em suspensão, simplesmente... fuff...
Cada ponto é um sintoma de uma doença doutro alguém
Douto alguém
Atribuída a mim, ou à parede de madeira
Ou à muralha de pregos, ou ao adorno improvisado
Que fizeram, de pedras rachadas no chão
Da realeza que precisa projetar a frustração
E que não sabe que a doença está em crer no deus felicidade
Que a ambição da nova geração não é mais a eternidade
Viver a vida já está bom se puder ser sem se matar aos poucos
domingo, 21 de outubro de 2012
terça-feira, 2 de outubro de 2012
Relatório de pensamento criativo - São Paulo, 03/10 2012 - Turno: Manhã.
Resta tão pouco em que acreditar, sonhar.
Essa realidade inventada tolhe tanto.
Sobra tão pouco espaço imaginário pra pensar, criar.
Que quando, raro, ocorre um momento de "iluminação", subitamente ele aflora, sintetiza e explode em palavras. Poucas.
Final.
Essa realidade inventada tolhe tanto.
Sobra tão pouco espaço imaginário pra pensar, criar.
Que quando, raro, ocorre um momento de "iluminação", subitamente ele aflora, sintetiza e explode em palavras. Poucas.
Final.
terça-feira, 7 de agosto de 2012
O mais legal de estar nessa fase de merda da vida é que sempre tem um ser superior, deus supremo, senhor da verdade que lê a sua mente pra poder falar que a culpa é sua, pra deslegitimar o esforço, pra desqualificar sem pensar duas vezes e não pra perceber que você está tentando se virar mas que tá foda. Tomar no cu!
segunda-feira, 26 de março de 2012
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
A arte de demonstrar o indemonstrável
Logo, podemos concluir que a vida é uma boa foda.
Q.E.D.
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